A maternidade sempre me pareceu um universo mágico, algo que eu via em filmes e ouvia em histórias repletas de encantamento. Quando descobri que estava grávida, senti aquela mistura de alegria avassaladora e medo do desconhecido. Li livros, acompanhei blogs, ouvi conselhos de mães experientes, mas a verdade é que nada realmente nos prepara para o que vem depois.
Agora, olhando para trás, percebo quantas coisas eu gostaria de ter sabido antes de embarcar nessa jornada. Não para evitar desafios — porque eles fazem parte do processo — mas para abraçá-los com mais leveza. Se você está prestes a se tornar mãe ou conhece alguém que está, espero que estas cinco lições possam iluminar o caminho.
1. O Amor é Imenso, mas Não Aparece de Forma Igual para Todos
Antes de ter meu primeiro filho, achava que o amor maternal seria instantâneo. Sempre ouvia falar de mães que se apaixonavam no primeiro olhar, que sentiam uma conexão avassaladora assim que seguravam seus bebês nos braços. Mas para mim, não foi bem assim.
Eu amava meu filho, claro. Mas o cansaço, a recuperação do parto e a enxurrada de novas responsabilidades me fizeram sentir mais sobrecarregada do que encantada. Por um tempo, me culpei por não ter aquele amor imediato e intenso que tantas mulheres descrevem. Até que um dia, percebi que amor também se constrói. No dia a dia, nas pequenas interações, nos olhares de cumplicidade.
Se eu pudesse voltar no tempo, diria a mim mesma que o amor materno não precisa seguir um roteiro específico. Ele cresce, se fortalece e toma formas diferentes em cada mãe. E tudo bem se ele demorar um pouco para florescer.
2. A Culpa Materna é um Fardo, Mas Não Precisa Ser
Desde o momento em que meu bebê nasceu, um novo sentimento surgiu junto com ele: a culpa. Culpa por não amamentar exclusivamente, por sentir vontade de estar sozinha, por às vezes não ter paciência, por não conseguir equilibrar todas as demandas.
Passei os primeiros meses tentando fazer tudo “certo”, sem perceber que a busca pela perfeição era uma armadilha. A verdade é que a maternidade perfeita não existe. Sempre haverá algo que achamos que poderíamos ter feito melhor. O que me ajudou a sair desse ciclo foi aprender a confiar mais em mim mesma. A entender que cada mãe tem sua realidade, suas limitações e sua própria maneira de cuidar.
Se eu pudesse dar um conselho para qualquer mãe, seria: permita-se errar, porque a culpa não melhora nada. O que realmente importa é o amor e a intenção genuína de fazer o melhor dentro das suas possibilidades.
3. Cuidar de Si Não é Egoísmo, É Necessário
Por muito tempo, achei que ser uma boa mãe significava me doar 100% e esquecer de mim mesma. Passei meses dormindo pouco, comendo qualquer coisa, sem tempo para cuidar do meu corpo ou mente. Até que meu esgotamento começou a me cobrar um preço alto: falta de paciência, irritação, choro sem motivo.
Foi difícil admitir, mas precisei entender que eu também importava. Cuidar da minha saúde, dormir sempre que possível, sair um pouco sozinha, pedir ajuda — tudo isso não me tornava uma mãe pior, mas sim melhor.
Se eu soubesse disso antes, teria começado a me priorizar mais cedo. Porque quando estamos bem, conseguimos cuidar melhor dos nossos filhos. Não somos máquinas, e o autocuidado não é um luxo, é uma necessidade.
4. A Rotina Pode Ser Uma Aliada, Mas Não Deve Ser Uma Prisão
Nos primeiros meses, eu achava que precisava seguir à risca os horários recomendados para sono, alimentação e estímulos. Se o bebê dormisse fora de hora, eu entrava em desespero. Se o banho atrasasse, me sentia uma péssima mãe.
Com o tempo, percebi que a rotina é sim uma aliada, mas não deve ser uma prisão. Cada bebê é único, e o que funciona para um pode não funcionar para outro. Aprendi a escutar mais meu filho e menos os relógios.
Se eu pudesse voltar no tempo, diria a mim mesma para ser mais flexível. Para entender que alguns dias serão mais organizados, outros serão um caos, e tudo bem. A rotina deve servir à família, não o contrário.
5. Você Nunca Mais Será a Mesma — E Isso Não é Ruim
A maternidade muda tudo. O corpo, a mente, as prioridades. Eu achava que, com o tempo, voltaria a ser quem eu era antes. Mas não voltei. E isso foi assustador no começo.
Por um tempo, senti que havia perdido minha identidade. Que não era mais a profissional de antes, a esposa de antes, a amiga de antes. Até que entendi que não perdi nada. Apenas me transformei.
Se eu pudesse preparar meu eu do passado, diria: abrace essa mudança. Você não precisa ser a mesma de antes, porque agora carrega dentro de si uma nova versão — mais forte, mais resiliente, mais cheia de amor.
Conclusão
A maternidade é uma jornada intensa, repleta de aprendizados que só vêm com a experiência. Se eu soubesse dessas cinco coisas antes, talvez tivesse sofrido menos, cobrado menos de mim mesma e aproveitado mais cada momento. Mas talvez essa seja a grande lição: nunca estamos totalmente prontas, e tudo bem.
O que realmente importa é seguir em frente com amor, paciência e a certeza de que estamos fazendo o melhor que podemos. No fim das contas, é isso que faz toda a diferença.